Monthly Archives: julho 2012

FIM DE FEIRA

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Do nosso especialista em economia da palito: “O pé de alface no fim da feira de São Joaquim foi cotado em R$ 1,80. O quilo do frango abatido na hora variou entre R$ 2,99 e R$ 3,20. Já a carne de de segunda estava custando os olhos da cara. E na bolsa de dona Marback o real teve uma ligeira queda em relação ao dia anterior”.

VALOR

Imagem–  Hummm, vamos ver como está a cotação das nozes na Bolsa de Mercadorias…

(Foto de Michael Higgins/The Telegraph, da Grâ-Bretanha).

DAS DUAS, UMA OU DUAS

Não que uma coisa exclua a outra, mas depois dos 20 não tem jeito: ou você cresce por dentro ou cresce para os lados.

BELEZA

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Se Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, Ele deve ser feio pra caramba. A natureza tá cheia de bichos mais bonitos.

O BRASIL E O BRAZIL

Tem quem ache que Brazil com z é coisa de gringo, mas não é não. Luis Fernando Verissimo diz que o Brasil mudou o nome e esqueceu de avisar lá fora. Pelo menos até 1945 os brasileiros escreviam Brazil com z e os portugueses escreviam Brasil com s, quando um acordo ortográfico entre os dois países acabou adotando Brasil com s como padrão. E desde a proclamação da república até 1968, o país se chamava  República dos Estados Unidos do Brasil. Um decreto da ditadura militar mudou a denominação oficial para República Federativa do Brasil. Mas aí só não avisaram José Serra, que na última eleição presidencial disse que se preparou a vida toda para ser “presidente dos Estados Unidos do Brasil”. Vai ver que foi por isso que ele perdeu pra Dilma.

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Desde já quero fazer minha doação pra campanha de José Serra, quando ele voltar a concorrer a “presidente dos Estados Unidos do Brasil”.

NOSSOS COMERCIAIS

Essa é do tempo em que propaganda era chamada de reclame e as pessoas morriam de bronquite. Ou quase, se não tomassem o Rhum Creosotado. Lançado nos anos 20 do século passado, o medicamento era anunciado em cartazes afixados dentro dos bondes, que chamavam a atenção do “ilustre passageiro”. O sucesso foi tão grande que se transformou no primeiro jingle comercial do rádio brasileiro.

DÍLZIMO

A presidente Dilma participa nesta quinta da cerimônia de inauguração, comandada pelo bispo Edir Macedo, dos estúdios que a Record montou em Londres para cobertura da Olimpíada. Será que incluíram o descarrego sincronizado e o dízimo à distância como modalidades olímpicas?

TEORIA DA INVOLUÇÃO

E se Darwin estivesse errado? Nem sempre é o filhote mais capaz, mais inteligente ou mais bonito que sobrevive. Estão aí o Ratinho, Faustão e Luciano Huck que não me deixam mentir. E se o elo perdido se perdeu no meio do caminho, por causa das más companhias, e acabou numa balada nas cavernas? O ancestral da humanidade não passaria de um símio que não deu certo, como os pelos do Neymar. E o homem seria o resultado não da evolução, mas da involução da espécie, como demonstra a teoria que acabo de inventar. (Olha só a cara de descarado do último da fila, pra ver se não tenho razão).

ROUBOCÓPIA

Na roubalheira política do país, até as idéias são roubadas. Quem assistiu à re-re-reprise de Robocop 2, exibido nessa terça pelo SBT, viu ou reviu a cena em que um vereador corrupto sugere ao prefeito idem que esconda o dinheiro na cueca, quando vão se encontrar com o chefe do crime organizado na cidade, um pivete tipo Cachoeira, para acertar uma negociata de US$ 50 milhões. O filme é de 1990 e um assessor petista foi pego em 2005 com US$ 100 mil na cueca. Tanto no filme quanto na vida real ninguém foi punido, embora nos dois casos tenha sido anunciada uma “rigorosa investigação”.

CLASSIFICADO

Vende-se casa, ótima localização, ônibus na porta. Tratar com o barbeiro ao lado.

RAPINA

Minha terra, bandalheira,
Roubalheira sei que há
Rios de lama, Cachoeira
Também vai me locupletar.

Tico-tico de rapina,
Maracutaia e propina
Macedo ou mais tarde
O bispo há de abençoar.

O AMOR NA INTERNET

Corrigindo o que se achava que era definição de amor:
O amor não ilumina o seu caminho. O nome disso é poste. O amor é outra coisa.
O amor não é aquilo que supera barreiras. O nome disso é gol de falta.
O amor não faz coisas que até Deus duvida. O nome disso é Lady Gaga.
O amor não traça o seu destino. O nome disso é GPS.
O amor não te dá forças para superar os obstáculos. O nome disso é tração nas quatro rodas.
O amor não mostra o que realmente existe dentro de você. O nome disso é endoscopia.
O amor não atrai os opostos. O nome disse é imã.
O amor não é aquilo que dura para sempre. Isso é a Hebe Camargo.
O amor não é aquilo que surge do nada e em pouco tempo está mandando em você. Isso é Dilma Rousseff.
O amor não é aquilo que te deixa sem fôlego. O nome disso é asma.
O amor não é aquilo que te faz perder o foco. O nome disso é miopia.
O amor não é aquilo que te deixa maluco, te fazendo provar várias posições na cama. Isso é insônia.
O amor não faz os feios ficarem pessoas maravilhosas. O nome disso é dinheiro.
O amor não é o que o homem faz na cama e leva a mulher à loucura. O nome disso é esquecer a toalha molhada.
O amor não é aquilo que toca as pessoas lá no fundo. O nome disso é exame de próstata.
O amor não faz a gente enlouquecer, não faz a gente dizer coisas pra depois se arrepender: O nome disso é vodka.
O amor não faz você passar horas conversando no telefone. O nome disso é promoção da operadora,
O amor não te dá água na boca. O nome disso é bebedouro.
Amor não é aquilo que, quando chega, você reza para que nunca tenha fim. Isso é férias.
O amor não é aquilo que te alegra mas depois te decepciona. Isso é pote de sorvete.
O amor não é aquilo que entra na sua vida e muda tudo de lugar. O nome disso é empregada nova.
O amor não é aquilo que te deixa bobo, rindo à toa e sem saúde . O nome disso é maconha.
O amor não é aquilo que gruda em você mas quando vai embora arranca lágrimas. O nome disso é cera quente.

ALÔ!!!???

Alô, alô, marciano. Aqui quem não fala é da Terra.

TAPA SEM DÓ

Não tenha “uma dó” quando alguém disser que levou “uma tapa”. As duas palavras são masculinas quando usadas como sinônimo de “pena, compaixão” ou “pancada, bofetão”. Levar “uma tapa” talvez doa mais do que uma porrada. No feminino significa rolha de madeira (pra tapar a boca de canhão) ou venda que se coloca nos olhos de burros pouco mansos (para conseguir por arreios no animal). O que você prefere: levar um tapa ou uma tapa? Você decide.

O PREÇO DE UM VOTO

 
A vereadora Cláudia Câmara, junto de todo o seu eleitorado.
 
No interior do Rio Grande do Norte, uma enfermeira assumiu o mandato de vereadora, mesmo tendo apenas um voto na última eleição. E não foi ela quem votou nela. Graças ao maridão, a vereadora de um voto só vai ganhar por mês R$ 5 mil de salário, R$ 4,5 mil de verba de gabinete e ainda tem direito a três assessores. Quem paga a conta, como sempre, é o contribuinte.

INIMIGO NA TRINCHEIRA

Olha aí, torcida colorada. Tem inimigo na trincheira, atirando pela culatra!

ORA BOLAS

Falcão (5), o dono da bola no Inter, e Luxemburgo no tempo em que levar bola nas costas era um risco que todo lateral corria.

CÍRCULO VICIOSO

Foto postada no facebook pela assessora parlamentar Denise Rocha, selecionada a dedo pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que se encontrou “por acaso” em Paris com o então presidente da construtora Delta, investigada pela CPI do Cachoeira, da qual o senador é membro, sabe-se lá em que sentido.

REALITY

Quando a Band anunciou que Datena ia comandar um programa chamado “Quem fica em pé?”, achei que fosse um “reality” com polícia e bandido, para ver quem sobrevivia depois de um tiroteio.

MALAS

Há uma enorme diferença entre quem viaja e quem faz turismo. Viajante é aquele que procura conhecer lugares, costumes e pessoas. Turista não passa de um idiota em trânsito. Basta por os pés no avião pra ele achar que, no pacote que comprou, está incluído o direito de ser inconveniente aonde quer que vá.

MASSINHA

Em ritmo acelarado para se tornar o novo Rubinho Barrichello,  Felipe Massa acredita que possa ficar na Ferrari em 2013 e revelou também que acredita em Papai Noel, saci, cegonha e mula sem cabeça, mas em nenhum momento se referiu ao coelhinho da Páscoa.

NOVOS VELHOS TEMPOS

O futebol brasileiro virou exportador de jovens promessas e importador de veteranos em fim de carreira. Alguns deles ainda são bons jogadores, como Seedorf, Forlán e Juan, mas que já não aguentavam mais o tranco do futebol europeu, que é muito mais competitivo do que o do lado debaixo do Equador. É só lembrar que a última conquista do Barcelona foi em cima do Santos, com direito a um banho de bola no então campeão sul-americano. Depois disso, jogando contra adversários da Europa, o Barça não ganhou mais nada.

SANTA CRIATURA

Esse Batman chegay é o primeiro da história do cinema. Interpretado por Lewis Wilson foi lançado pela Columbia em 1943, no final da 2ª Guerra Mundial. O Homem-Morcego era um agente do FBI que enfrentava o satânico Dr. Kada, um cientista louco japonês. Enquanto isso, o judaico-kryptoniano Superman enfrentava os nazistas desde o início do conflito na Europa, em 1939. Em tradução livre, o nome de batismo do super-herói, Karl-El, significa em hebraico “Deus é tudo”. Ou “Deus é mais”,  em baianês.

LOCAL APROPRIADO

Em Porto Alegre, pra grandes jogos de futebol existe o Gigante da Beira-Rio. Pra todas as outras vai ter a Arena, logo, logo.

BESTIAL

Dos gênios da propaganda portuguesa: “A rapidinha que refresca” (Cerveja Super Bock Mini, 2007). “É espectacoral.” (Cerveja Coral, 2004). “Faz parte de cá. Faz parte de lá.” (Cerveja Coral, 2006). “Escorrega ainda melhor!” (Água Mineral Estrela, com sabor de frutas). “Se não nascesse tão alto, não lhe caía tão bem” (Água Mineral Estrela da Serra, 1996). E até mesmo o poeta Fernando Pessoa arriscou-se a criar, em 1927, um slogan publicitário, (que eles chamam de claim), mas que nunca foi usado para felicidade geral: “Primeiro Estranha-se, depois Entranha-se”.

PINTO CASSADO

O cara aí acima, de fraque e cueca, não foi o primeiro senador, mas o primeiro congressista a ser cassado por quebra de decoro, ao posar para essa foto em 1949. Era um deputado federal eleito pelo Rio. E parece coisa de Os Predestinados, de José Simão: ele se chamava Pinto, Edmundo Pinto. Mas bons tempos aaqueles em que parlamentares eram cassados por serem pegos só de cueca.

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Não dá para entrar com um mandado de segurança contra a posse do suplente de Demóstenes, por quebra de decoro retroativa? Veja (e ouça) essa conversa, gravada pela Polícia Federal em junho de 2011, entre Wilder de Morais e Carlinhos Cachoeira, onde os dois “discutem as conquências da relação” entre eles e Andressa Mendonça, mulher do primeiro e que tinha um caso com o segundo. “Eu não vou expor você, cara. Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu, você sabe muito bem disso. Então, para que eu vou te expor?”, afirma Cachoeira. Wilder concorda e mostra ser grato a Cachoeira. “Carlinhos, pensa um cara que nunca teria encontrado um governo, que nunca teria sido bosta nenhuma. Você está falando com esse cara”.

INDECOROSO

Demóstenes agora e no tempo em que comia não mão de Carlinhos Cachoeira.

Quanta inocência. Demóstenes Torres disse que “mentir não configura quebra de decoro parlamentar”. Gente, alivia aí. Ele só mentiu quando falou na tribuna do Senado que não estava a serviço de Carlinhos Cachoeira, que não recebia nada por isso e que os dois eram apenas bons amigos .

GAROTO-ANTIPROPAGANDA

Ronaldinho Gaúcho mostrou que não é apenas mais um rostinho bonito da propaganda brasileira. Perdeu um contrato de R$ 1,5 milhão com a Coca-Cola ao se deixar fotografar junto a refrigerantes da Pepsi. Renegado pelos gremistas, Ronaldinho não renegou suas origens. O Rio Grande do Sul é o único lugar do país, e talvez do mundo, onde a Pepsi vende mais do que a Coca.

VAZAMENTO

O Vaticano conseguiu na Justiça a suspensão da venda da revista satírica alemã Titanic, que traz na capa uma foto do papa com o título “Aleluia – descobrimos a fonte do vazamento”, sobre a divulgação de documentos secretos da Igreja Católica. Na foto considerada ofensiva pelo Vaticano, a túnica de Bento 16 aparece manchada de amarelo da cintura para baixo.

PONTO E VÍRGULA

Na internet você encontra de tudo. Até coisas que você nem lembrava mais que tinha escrito. Ou que imaginava perdido nas páginas de um jornal já extinto,  mas que teve pelo menos um exemplar preservado, sabe-se lá onde e por que motivo. Até alguém se dar ao trabalho de digitar o texto e ressuscitá-lo em outro mundo, o virtual. Pois eis aí “Ponto e Vírgula”, redivivo.

Encontraram-se num parágrafo. Ele: um ser ínfimo, quase nada, um ponto; ela: toda cheia de curvas, uma interrogação. Ele lançou-lhe um olhar reticente que se fixou nos dois pontos dos olhos dela. Percorrendo seu corpo, deteve-se no etc. Simétrica! Sem dúvida. Para parnasiano nenhum botar defeito! Subordinado àquela figura metafórica, sentou-se. Ai! Da voz grave saiu-lhe a interjeição. Mas que desgraça a minha… Não é que havia sentado num acento agudo?! Por instantes, sentiu vontade de sair fora da linha. Como? Se um travessão os separava. Circunflexo, apoiou-se na margem a sonhar. Que bom seria se seus desejos fossem sinônimos para poderem unir-se numa conjunção final. Ele a cobriria de artigos indefinidos, e, quem sabe até, juntos poderiam iniciar uma oração. Impossível! Aquilo das maiúsculas era privilégio. Mas o verbo, ao menos, haveria de permitir-lhe acompanhá-la por um longo período. Tão perto estaria que um adjunto tornar-se-ia; quem sabe, um complemento. Súbito, viu aproximar-se um sujeito, que até então oculto estivera. Possessivo de ciúmes, a princípio (numa exclamação) classificou-o como anômalo. Mas, finalmente, por sujeito indeterminado decidiu-se. E ele então se sentiu reduzido a um diminutivo sintético. Cruzaram asteriscos pela mente conturbada. Só lhe restava jogar-se e sumir nas entrelinhas. No entanto, dele se aproximou uma figura magra, curvada, uma vírgula, uma figura metafórica. Pondo seus pensamentos em ordem alfabética, voltou à realidade de maneira coordenada. O sonho foi desfeito, tornando-se ele, um agente da passiva. Como pudera casar-se com aquela proparoxítona real, sem predicado algum, sequer uma partícula de realce possuía? Tornara-se objeto indireto das brincadeiras de estilo irônico ou mesmo satírico. Agora não restam alternativas ou explicativas, concluiu numa análise sintática. Esquecer era preciso, e colocar naquilo um ponto final.

SEM CENSURA

O que será que aconteceu com os censores da época da ditadura? Se aposentaram, foram demitidos ou estão por aí reescrevendo a história oficial?

SAINDO DO ARMÁRIO

Luan Santana saiu do armário, finalmente. O cantor-símbolo do breganejo universitário assumiu, na final da Libertadores, que era a primeira vez que ia a um estádio de futebol. E, assim como ele, milhares de outros em todo o país se revelaram torcedores do Corinthians, da noite para o dia.

JORNALISMO FANTÁSTICO

No filme Nos Bastidores da Notícia, de 1987, o jornalista interpretado por William Hurt era acusado de falta de ética ao armar uma cena em que ele aparecia chorando em uma entrevista,. Nesse domingo, a Globo mostrou no Fantástico o sofrimento do repórter Clayton Conservani ao participar de uma corrida no deserto, assim como já havia feito em uma prova na Antártica, Quando “estava a ponto de desistir”, ele assiste a um vídeo gravado pela mulher, incentivando o marido a continuar. A câmera foca seu rosto e mostra, em close, uma lágrima escorrendo pela face. E, apesar das dores e das bolhas de sangue nos pés, ele segue em frente. Domingo que vem tem mais. Jornalismo fantástico é isso.

VALE-TUDO

Vale-tudo para Galvão Bueno. Até narrar uma luta que já havia acontecido como se fosse ao vivo. Apresentou o combate entre Anderson Silva e Chael Sonnen como sendo a luta entre o bem e o mal. O brasileiro era “o gladiador herói” e o americano, “o gladiador bandido”. Enquanto Anderson foi chamado de “bom pai de família”, Sonnen era lembrado por supostos problemas com a justiça. Só faltou dizer qe Anderson ajudava velhinhas a atravessar a rua e Sonnen levava para o outro lado velhinhas que não queriam atravessar.

PALAVRAS

Luis Fernando Verissimo se definiu como um gigolô das palavras, já que vive às custas delas. Julio Cortázar era um questionador das palavras, e não se conformava quando diziam que madre se chamava madre e mesa era mesa, sem dizerem por que era assim e ponto final. Eu gosto de brincar e trocar idéias com elas. Não sou Sílvio Santos, mas as palavras são minhas colegas de trabalho.

PENSO, LOGO…

Trocadilhos? Melhor não fazê-los. Mas se não os fazemos, como sabê-lo? Assim como Vinícius de Moraes, outra vítima preferida é o filósofo multimídia René Descartes (que se pronuncia De-car-te e não tem nada a ver com o verbo descartar, viu Galvão Bueno?). “Penso. logo existo” se transforma em um monte de bobagens como essas, se cair em mãos erradas e cabeças ocas.

Do preguiçoso: “Penso, logo desisto”.
Do espectador: “Penso, logo assisto”.
Do teimoso: “Penso, logo insisto”.
Do oposicionista: “Penso, logo resisto”.
Do especulador: “Penso, logo invisto”.
Do visionário: “Penso, logo avisto”.
Do imperialista: “Penso, logo conquisto”.
Do repórter: “Penso, logo entrevisto”.
Do aspirante a militar: “Penso, logo me alisto”.
Do cobrador de impostos: “Penso, logo confisco”.
Do comilão: “Penso, logo petisco”.
Do mão-boba: “Penso, logo belisco”.
Da mulher do cangaceiro: “Penso, logo Corisco”.
Do marisqueiro: “Penso, logo marisco”.
Do gráfico: “Prenso, logo existo”.
Do cantor iniciante: “Penso logo no disco”.
Do fugitivo: “Penso, logo despisto”.
Do policial: “Prendo, logo revisto”.
Do herege: “Penso logo, anticristo”.
Do gênio: “Penso, logo me acho”.

ALGUÉM QUE ANDA POR AQUI

Julio Cortázar tem em sua obra um livro exclusivo de contos chamado “Alguém que anda por aí”. Não sou argentino e muito menos escritor, mas também gosto de andar aqui pela praia perto de casa. E gosto de observar quem passa e o que se passa. Hoje pela manhã tinha uma avó correndo atrás de um garotinho mais sujo do que Cascão, para limpar o rosto dele, que parecia o auto-retrato de um pintor desastrado. Também havia alguns gringos decadentes pegando piriguetes na entressafra. E ainda um pai com uma meninha de uns dois anos, que não se deu conta quando passou um homem sendo puxado por dois bichos peludos enormes. Não sei se era um casal de cães ou um par de lobisomens, que ficaram atraídos pela garotinha e que insistiam em chegar perto dela, que queria porque queria um daqueles pra ela brincar.  Até que o condutor das bestas-feras conseguiu levá-las pra longe e seguiu adiante. O anjo da guarda da menina deve ter respirado aliviado, assim como eu.

VAGA LEMBRANÇA

Autobiografias e biografias autorizadas deveriam ficar expostas, nas livrarias, na seção de obras de ficção.

QUADRILHA

Lembra de Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade,  e de A Flor da Idade, de Chico Buarque?  Pois é, qualquer semelhança não é mera coincidência.  O senador Demóstenes Torres era assessor para assuntos para lamentar do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que tinha um caso com a mulher do empresário Wilder de Morais, que é suplente de Demóstenes, que ganhou presentes de casamento de Cachoeira, que recebe visitas na prisão de sua ex-mulher, para desgosto de sua  atual companheira, Andressa Mendonça, que era casada com Wilder quando começou a ter um caso com Cachoeira, que era assessorado por Demóstenes, que é investigado pela CPI, onde Andressa foi eleita “musa”.